quarta-feira, 25 de abril de 2012

28 horas. Poderia ser menos?

"Aquele que em nada acredita, corre o grave risco de nada encontrar"
Teresa Guerra, no livro Crianças Índigo

Fotografia: Theo Andrade.
Chegada na Ilha Grande, mirando a Praia de Palmas.
 
Acreditar que eu podia fazer esta remada sozinha foi um dos fatores que me levou a iniciar o planejamento da viagem.

Mesmo sabendo que daria para fazer em menos tempo, eu acredito na importância e no potencial inovador que as minhas 28 horas solitárias entre Niterói e Ilha Grande provocaram para o esporte.

Com esta remada, novos limites foram colocados. Ou limites foram quebrados, tanto faz... Nunca antes uma mulher havia realizado sozinha tal percurso, embora algumas grandes guerreiras que conheço na canoa havaiana poderiam facilmente tê-lo feito, e estas saberão se reconhecer nas minhas palavras. Dois grandes remadores de canoa havaiana já haviam realizado desbravadora e solitariamente tal percurso, conhecendo e reconhecendo as dificuldades, alegrias e satisfações que o mesmo proporciona. São eles meus amigos Leonardo Silva e Mássimo Novelo. A eles, meu respeito e admiração.

Se foi muito tempo ou não, a mim não importa. O que importa é que a partir de agora muitos acreditarão que podem também, e é isto caracteriza um novo limite para o esporte.
Certa vez escutei que a Ciência, para encontrar avanço na busca das respostas, funciona como uma barreira de corais. Em uma barreira de corais, os organismos mais antigos, à medida que morrem, servem de base e sustentação para o crescimento dos novos, e assim os corais vão crescendo um por cima do outro, ganhando altura e, às vezes, superando até a linha d´água formando atóis nos oceanos. Com o conhecimento a dinâmica é a mesma. Pesquisas antigas e reveladoras para uma determinada época tornam-se ultrapassadas no futuro, mas servem de importante base para a Ciência moderna chegar aonde chega. É assim que funciona o caminhar da humanidade e a evolução da ciência, da tecnologia e de todos os campos de conhecimento. No esporte não haveria de ser diferente.

Se antes o senso comum julgava impossível ou muito-muito-muito difícil algum feito, novas gerações hão de chegar para mostrar que, com determinação, foco e planejamento, limites podem ser quebrados, projetos e sonhos podem ser postos em prática.

Já falei sobre o Everest antes. Escalar uma montanha que é considerada visualmente até feia pelos alpinistas, correr graves riscos de morrer, chegar no teto do mundo e mal ter tempo de hastear a bandeira do seus país para então descer com extremidades do corpo algumas vezes necrosadas e possivelmente afetadas para sempre parece algo inexplicável. Mas "cada um tem o seu Everest", e este Everest particular muitas vezes grita dentro da gente. Ao longo da história da humanidade Everests particulares devem ter possibilitado tantas descobertas que hoje nossa mente globalizada pode não mensurar o quanto o espírito desbravador daqueles que escutaram o chamado de seus Everests foram importantes para nós. Cruzadas marítimas, expedições sem volta, mergulhos profundos nos oceanos ou viagens espaciais desconhecidas... Cada um tem o seu Everest! (Recomendo a leitura do livro No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer).

Remei por vontade, e isso basta. Foi por acreditar que eu podia pois este era meu sonho. Essa vontade existia antes mesmo de eu conhecer a canoa havaiana e quando fui remando pela primeira vez do Rio a Ilha Grande em 2010, com mais cinco amigos em uma canoa havaiana de seis pessoas, achei que esta vontade estaria saciada. Mas meu Everest continuou gritando.

Minha maior fonte de inspiração vem dos livros que leio. Histórias do Amyr Klink, da Família Shürmann, Shackleton, Jack London, Robert Falcon Scott e de tantos outros... Dentre estes desbravadores, aquele que se encontra mais perto da gente é o Amyr Klink, um cara que, em seus livros, se revela não um aventureiro, mas sim um excelente planejador! Detalhista ao extremo, ele não deixa nada para o acaso e se prepara como ninguém para levar a vida que escolheu seguir.

Vou parafrasear um texto sobre o Amyr, escrito por Stephen Kanitz, que está na orelha de seu livro Linha-D'Água - Entre Estaleiros e Homens do Mar:

"Viver é uma atividade arriscada. Nunca se sabe o dia de amanhã. Mas aprendemos muito com o Amyr ao percebermos que esses riscos podem ser minimizados ou resolvidos antes da partida, e aí viver a vida se torna um prazer, e não uma constante preocupação.
Amyr tem uma qualidade que eu chamo de 'acabativa'. Todos nós temos iniciativa, milhares de ideias para pôr em prática, mas Amyr tem a capacidade de implantar a maioria das ideias que lhe ocorrem; elas não ficam no papel ou nos sonhos. É disso que o Brasil precisa, urgentemente".

Espero, com estas 28 horas, ter inspirado você também com uma proposta de "acabativa", e que todos os seus sonhos, estimado leitor, saiam do papel e se tornem reias!

Como já escreveu meu tio Geraldo:
"A sobrinha Luiza vive remando e rema vivendo!!!"

Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin



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