sexta-feira, 13 de abril de 2012

Remando à noite pela Barra da Tijuca


Final de tarde nas Ilhas Tijucas - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro

Visível ondulação de Sul possibilitando o surfe nas vagas.



Feliz com as sete horas de remada já vencidas.



Quando a tarde caiu eu já havia passado as Ilhas Tijucas, e me encontrava no início da Barra. Estava feliz pra caramba e a cada parada programada, me alimentava como planejado. O vento Leste me empurrava generosamente na direção desejada. A ondulação estava de Sul e batia de través na canoa, no bordo esquerdo, onde fica a ama, mas mesmo assim era possível surfar muitas marolas que se formavam para mim. A remada estava fluindo com perfeição e eu me sentia plena. Isso era ótimo, pois me nutria de autoestima. Sabia que ia ser difícil, mas estava me sentindo tão bem que podia acreditar que seria menos difícil do que pensava.

Nesta remada fui agraciada com condições perfeitas de mar e de vento. Em um planejamento, é muito importante não só monitorar a previsão, mas também deve-se saber avaliar as tendências do vento. Fiz isso ao longo de dois meses e tenho certeza que o dia escolhido não poderia ser melhor. O domingo, dia 08 de abril de 2012, foi um presente. Como já escrevi antes, não foi à toa que as coinscidências da Natureza me fizeram sair no domingo de Páscoa - uma celebração de renascimento!

Em 28 horas conjuguei diferentes verbos: remei, sorri, chorei, vomitei, cantei, gritei, calei... E os sentimentos também foram os mais diversos. Quando a noite ficou escura de verdade e o sono começou a tomar conta de mim, milhares de questionamentos tomaram conta da minha mente. Antes de partir, havia falado que gostaria de ver golfinhos e baleias, mas naquelas horas escuras, qualquer barulho de onda atrás de mim me assustava e eu desejava ver nenhum animal marinho. No meio da noite, sentinelas do mar me ajudaram a não fechar os olhos: enquanto passava ao longe de Guaratiba, um grande cardume passou por mim. Não pude ver os peixes, mas pude escutá-los chocando-se contra minha canoa. Primeiramente, ouvi uma batida forte no deck da canoa, na proa. Algo que teria caído de cima dela. Não tive muito tempo para me perguntar o que seria e logo senti algo batendo forte no meu rosto, na bochecha direita. Levei um susto! Mas imediatamente senti o cheiro de peixe que ficou em mim. E mais barulhos, de peixes se chocando contra minha pequena embarcação flutuante na escuridão. Aquilo me fez acordar do marasmo da noite!

Foi uma longa noite!
Milhares de questionamentos e o dobro de respostas. Respostas para perguntas que não foram feitas e que mesmo assim são respondidas quando você leva sua mente ou seu corpo ao extremo. Nestas horas, encontramos respostas, avaliamos nossa vida, nossos gostos, nossos caminhos. Mas eu queria estar ali e me programei para isso, preparei tudo sozinha, corri atrás e planejei. Me via sozinha naquele mar, com a distante Barra da Tijuca no litoral, a noite avançando e o sono também. Se abaixava a cabeça, pensava: "Meu Deus, o que eu estou fazendo?". Então passei a olhar para frente, e as respostas vinham: olhando para frente eu via o mar, eu via minha direção, meu caminho. Via o veleiro Tlaloco que me acompanhava silenciosamente na noite, como que consentindo orgulhosamente a façanha daquela pequena embarcação a remo. E então meu pensamento retrucava: "Estou indo para Ilha Grande remando sozinha na minha canoa Guardiã. Estou fazendo isso porque quero e porque acredito que posso. Estou fazendo isso pela causa ambiental que me move, para falar da preservação dos mares! E quando lembrava do meu objetivo, me emocionava. Dava braçadas mais fortes e seguia em frente. Imua, em havaiano, é algo que pode ser traduzido como "adiante".

IMUA, GUARDIÃ!
Aloha e até a próxima postagem, com mais fotos!









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