quinta-feira, 17 de maio de 2012

Entre Estaleiros e Homens do Mar


Linha D'água: Entre Estaleiros e Homens do Mar (Amyr Klink, 2006)
Um excelente livro!

Recomendo e empresto o meu! Fala sobre empreendedorismo, sonhos de vida e persistência sobre eles, aventuras e investidas no mar, entre muitas coisas. Revela um velejador de personalidade forte, provavelmente algumas vezes considerado excêntrico mas, na verdade, muito determinado e firme no rumo que deseja manter seus veleiros e seus planos de vida. Tudo começa quando Amyr deseja construir "um barco simples como canoa e cargueiro como navio" (Companhia das Letras, 336 páginas, R$ 41).
Frases sublinhadas de seus escritos ilustram, enfeitam e inspiram inúmeros momentos da minha vida. Gosto de várias, mas uma em especial sempre escrevo aos amigos remadores que gostam de expedições de longa distância:

"(...) barcos lendários cruzam amarras com viajantes anônimos. Nenhum de seus tripulantes se mostra por isso especial. O tamanho de seus cascos ou façanhas mede-se menos por pés ou milhas navegadas e mais, muitas vezes mais, pela alma dos que vão dentro."
(pág.74)


Nas fotos acima, dois tamanhos extremos de cascos: o gigante cargueiro japonês Hebei Chalenger e a pequena Guardiã, no Canal da Marambaia, entre o final da Restinga da Marambaia e a Ilha Grande. Local de grande tráfego de embarcações gigantes como a primeira. "O tamanho de seus cascos ou façanhas mede-se menos por pés ou milhas navegadas e mais, muitas vezes mais, pela alma dos que vão dentro"... Ou em cima!

Este foi um trecho muito difícil da remada. Apesar de ter a vantegem de poder usar os navios como referência para o meu avanço naquele mar sem fim, eles me dimensionavam também o quanto estava longe a distância entre os pontos... Não sabia se ficava feliz ou triste por ter que passar por cada um deles. 

O interessante neste momento da remada, no entanto, foi observar que o grande veleiro Tlaloco, de 31 pés, cuidador oficial da pequena Guardiã, ganhou aparência diminuta ao lado destes grandes navios. Observar aquele barquinho à vela, que me deu segurança ao longo de todas as horas já navegadas, ao longo da noite e das dificuldades, ao lado de imensos cargueiros, me trouxe uma imediata reflexão do quanto eu mesma, ali naquela canoa havaiana, parecia apenas um minúsculo ponto azul no oceano. Pequeno barco, mas tamanha vontade... "a alma dos que vão dentro". Aquela era a minha vontade naquele exato momento: chegar à Ilha Grande remando!

O "momento dos navios" nesta remada foi um trecho de lágrimas e muita superação. A tripulação do Tlaloco estava atenta a todos os meus movimentos e expressões faciais, dando incentivos de técnica e ânimo para me encorajar para as poucas horas que faltavam para terminar aquela jornada.

Ao passar ao lado de um dos grandes gigantes de ferro, aos prantos de estafa mais mental do que física, meus amigos gritavam palavras de incentivo e coragem, batiam no bordo do veleiro, se movimentavam, fotografavam e filmavam. Em poucos minutos, percebemos que eu ganhara uma segunda torcida extra. À bordo de outra embarcação, trabalhadores no convés do cargueiro vizinho, nos minutos em que passávamos ao longo dele,batiam palmas para minha passagem! Provavelmente perceberam algo de diferente naquela cena: um pequeno veleiro carregando seis pessoas que gritavam freneticamente para uma sétima que remava em uma diminuta canoa. Talvez tenham achado que eu merecia aquelas palmas. Obviamente, eu não pude escutá-las. Mas observando de relance, entre uma olhada e outra, aqueles pontinhos laranja no convés do navio - que eram os trabalhadores uniformizados a torcer por mim - me senti emocionada. E as lágrimas de angústia se transformaram em lágrimas de orgulho, muito orgulho de mim mesma. Eu estava conseguindo. Estava quase chegando...


Com o patrocínio do INEA consegui viabilizar algo muito importante para a minha jornada de Niterói a Ilha Grande: a contratação da produtora Studio Prime, na pessoa do meu amigo Thiago Silva, também remador da canoa havaiana e excelente profissional no que se propõe a fazer. Filmou, editou e dirigiu a produção do curta IMUA GUARDIÃ, que revela imagens e histórias interessantíssimas dessa remada pela preservação dos mares.


Em breve, o filme: Imua Guardiã.
Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin

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