quarta-feira, 23 de maio de 2012

Revista TPM: Trip Para Mulheres

Gente, olha que máximo!
http://revistatpm.uol.com.br/so-no-site/entrevistas/luiza-perin.html
Esse é o link para maior materiazona sobre a minha remada pra Ilha Grande no site de uma revista que eu adoro, que é a TPM, Trip Para Mulheres.
Sabe a música do Filtro Solar? Tem uma parte que fala: "Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio!". Eu adoro essa letra! Do início ao fim! É algo que, quando escuto, dá vontade de sair por aí, correndo igual Forrest Gump ou remando igual... igual a mim mesma! Eu amo remar e gritei bem alto essa música do Filtro Solar durante várias braçadas entre Niterói e Ilha Grande. Mas gritei muito!
A revista TPM não é igual a essas revistas de beleza que fazem você se achar feia, magra demais, gorda demais, pobre demais, etc. É uma revista legal de se ler, bem voltada para as mulheres jovens, ativas, questionadoras, etc. Ganhei um exemplar em uma competição de canoa havaiana em Ilhabela (Aloha Spirit), e me amarrei na leitura, nas fotos publicadas, nos temas das matérias... Vale a pena conferir!

"Use filtro solar! Os benefícios a longo prazo do uso do filtro solar estão provados e comprovados pela ciência. Já o resto de meus conselhos não têm outra base confiável além de minha própria experiência errante..."
Aloha e até a próxima postagem!!!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Entre Estaleiros e Homens do Mar


Linha D'água: Entre Estaleiros e Homens do Mar (Amyr Klink, 2006)
Um excelente livro!

Recomendo e empresto o meu! Fala sobre empreendedorismo, sonhos de vida e persistência sobre eles, aventuras e investidas no mar, entre muitas coisas. Revela um velejador de personalidade forte, provavelmente algumas vezes considerado excêntrico mas, na verdade, muito determinado e firme no rumo que deseja manter seus veleiros e seus planos de vida. Tudo começa quando Amyr deseja construir "um barco simples como canoa e cargueiro como navio" (Companhia das Letras, 336 páginas, R$ 41).
Frases sublinhadas de seus escritos ilustram, enfeitam e inspiram inúmeros momentos da minha vida. Gosto de várias, mas uma em especial sempre escrevo aos amigos remadores que gostam de expedições de longa distância:

"(...) barcos lendários cruzam amarras com viajantes anônimos. Nenhum de seus tripulantes se mostra por isso especial. O tamanho de seus cascos ou façanhas mede-se menos por pés ou milhas navegadas e mais, muitas vezes mais, pela alma dos que vão dentro."
(pág.74)


Nas fotos acima, dois tamanhos extremos de cascos: o gigante cargueiro japonês Hebei Chalenger e a pequena Guardiã, no Canal da Marambaia, entre o final da Restinga da Marambaia e a Ilha Grande. Local de grande tráfego de embarcações gigantes como a primeira. "O tamanho de seus cascos ou façanhas mede-se menos por pés ou milhas navegadas e mais, muitas vezes mais, pela alma dos que vão dentro"... Ou em cima!

Este foi um trecho muito difícil da remada. Apesar de ter a vantegem de poder usar os navios como referência para o meu avanço naquele mar sem fim, eles me dimensionavam também o quanto estava longe a distância entre os pontos... Não sabia se ficava feliz ou triste por ter que passar por cada um deles. 

O interessante neste momento da remada, no entanto, foi observar que o grande veleiro Tlaloco, de 31 pés, cuidador oficial da pequena Guardiã, ganhou aparência diminuta ao lado destes grandes navios. Observar aquele barquinho à vela, que me deu segurança ao longo de todas as horas já navegadas, ao longo da noite e das dificuldades, ao lado de imensos cargueiros, me trouxe uma imediata reflexão do quanto eu mesma, ali naquela canoa havaiana, parecia apenas um minúsculo ponto azul no oceano. Pequeno barco, mas tamanha vontade... "a alma dos que vão dentro". Aquela era a minha vontade naquele exato momento: chegar à Ilha Grande remando!

O "momento dos navios" nesta remada foi um trecho de lágrimas e muita superação. A tripulação do Tlaloco estava atenta a todos os meus movimentos e expressões faciais, dando incentivos de técnica e ânimo para me encorajar para as poucas horas que faltavam para terminar aquela jornada.

Ao passar ao lado de um dos grandes gigantes de ferro, aos prantos de estafa mais mental do que física, meus amigos gritavam palavras de incentivo e coragem, batiam no bordo do veleiro, se movimentavam, fotografavam e filmavam. Em poucos minutos, percebemos que eu ganhara uma segunda torcida extra. À bordo de outra embarcação, trabalhadores no convés do cargueiro vizinho, nos minutos em que passávamos ao longo dele,batiam palmas para minha passagem! Provavelmente perceberam algo de diferente naquela cena: um pequeno veleiro carregando seis pessoas que gritavam freneticamente para uma sétima que remava em uma diminuta canoa. Talvez tenham achado que eu merecia aquelas palmas. Obviamente, eu não pude escutá-las. Mas observando de relance, entre uma olhada e outra, aqueles pontinhos laranja no convés do navio - que eram os trabalhadores uniformizados a torcer por mim - me senti emocionada. E as lágrimas de angústia se transformaram em lágrimas de orgulho, muito orgulho de mim mesma. Eu estava conseguindo. Estava quase chegando...


Com o patrocínio do INEA consegui viabilizar algo muito importante para a minha jornada de Niterói a Ilha Grande: a contratação da produtora Studio Prime, na pessoa do meu amigo Thiago Silva, também remador da canoa havaiana e excelente profissional no que se propõe a fazer. Filmou, editou e dirigiu a produção do curta IMUA GUARDIÃ, que revela imagens e histórias interessantíssimas dessa remada pela preservação dos mares.


Em breve, o filme: Imua Guardiã.
Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin

terça-feira, 15 de maio de 2012

YOGA WA'A: nova modalidade

Logicamente, é mais uma brincadeira, e não uma forma de praticar yoga. Para superar as 28 horas remando, vez ou outra é importante dar uma alongada no corpo, variar a posição das pernas, esticar a coluna, etc.
Bom dia!!! Este foi o dia nascendo, em 09 de abril de 2012, em alto mar, em algum ponto entre Niterói e Ilha Grande.

...E continua, feliz, a remada rumo a Ilha Grande!!!
 
Patrocínio: Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e Instituto Vital Brazil.

Órgãos Oficiais do Governo do Estado:
Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Saúde.
 
E sempre ouvindo minha musiquinha no MP3 Eight co.!!!

NAMASTÊ e até a próxima postagem!
Luiza Perin


terça-feira, 8 de maio de 2012

Rio-Ilha Grande de OC6

Releituras são importantes.
Tenho mania de ler livros sublinhando as partes que me chamam atenção. Li o livro Linha-D´água - Entre Estaleiros e Homens do Mar, do Amyr Klink, em 2007, mas esta semana resolvi que gostaria de recomeçar a leitura desta obra.
Não deu outra: percebi o quanto nosso inconsciente nos alerta para exatamente aquilo que queremos ler. Em 2007, não havia me chamado atenção um certo trecho na página 19, o qual imediatamente sublinhei quando li mais uma vez, neste presente ano de 2012.

"(...) Com as obras feitas e a milhas acumuladas, eu deveria ter acalmado o desejo de pensar em outro barco. Deveria comemorar feliz, na preguiça de Paraty, as latitudes cumpridas sem acidentes, os destinos alcançados. Aconteceu justamente o contrário. Ganhei muma espécie de curiosidade crônica nos olhos, uma certa fixação por ideias simples, por soluções que andavam no meu nariz e que antes eu era incapaz de ver. Minhas dúvidas sobre barcos, a vida em volta deles e os seus segredos multiplicaram-se feito larvas."

Isto me lembrou meus sentimentos e minha fixação por ir remando até Ilha Grande.
Em 2010 me juntei com meus amigos Dave Macknigth, Lucas Fleury, Jorge Freitas, Douglas Moura e Silvia Hargreaves para a conquista de um sonho. Saímos da Praia da Urca, no Rio de Janeiro, em uma noite de sexta-feira, quando o relógio marcava meia noite e meia. Dezessete horas depois aportamos na Praia do Abrão, na Ilha Grande. Quem nos levou? Nossos corpos, nossas vontades e a guerreira canoa havaiana OC6 Ruahatu.



Este foi o meu relato da remada, escrito com a conquista ainda pulsando nas veias e distribuído por e-mail para meus familiares e amigos:

"Amigos!!!
Como é bom ter sonhos de vida simples!!! Esse final de semana realizei um de meus maiores sonhos!!! Fui remando do Rio à Ilha Grande!!! Remando!!!
E esse é um sonho verdadeiro que cultivo há anos, e que nunca achei que fosse estar perto o bastante para acontecer tão de repente!!! Fomos em uma canoa havaiana composta por uma guerreira equipe de quatro homens e duas mulheres. Vencemos o sono, a fadiga, a dor, o vento terral forte nos tirando da rota, ondas grandes, tubarões-tintureiro rondando a canoa, um mar sem fim com 135kms entre a partida e a chegada e 17 horas de trabalho muscular ininterrupto que nos levou da Praia da Urca diretamente à Praia de Abraão.
Saímos da Praia da Urca à 24hs30min desta sexta-feira e chegamos na Praia do Abraão às 17hs30min de sábado com os rostos brancos de sal ressecado na pele, dores musculares profundas, fome e enjôo, mas extremamente felizes e emocionados. Em todo esse tempo, paradas rápidas a cada duas horas de 5 a 10 minutos para comer, além de uma hora desembarcados em Barra de Guaratiba para um café da manhã.
Foi uma das maiores superações pelas quais já passei, redescobrindo novos limites do corpo, da força da mente e das imposições da Natureza. De presente, no meio da madrugada e no breu flutuante marinho em que nos encontrávamos, a maior estrela cadente que já vi na vida riscava o céu negro como um rabisco de giz deitado.
Pisando as areias macias da Praia de Abraão no fim do dia, de mãos dadas com meus amigos Dave Macknigth, Douglas Moura, Lucas Fleury, Jorge Freitas e Silvia Hargreaves e ao lado da guerreira canoa havaiana Ruahatu, percebi que fui forte o bastante para conquistar esse meu sonho e muito corajosa para encarar com esta equipe a façanha pioneira desta travessia sem barco de apoio, sem troca de remadores, sem parada para dormir e em uma temporada de outono com previsões de vento e ondas com poucas tréguas.
Estou muito feliz por descobrir essa força toda dentro dos meus 52 quilos de suposta fragilidade.
Só posso concluir que, quem passa por isso, supera qualquer dificuldade que a vida venha nos impôr.
Imua, em havaiano, significa "adiante"! IMUA!
Luiza Perin."


Releituras são importantes... Achava que a vontade de ir remando até Ilha Grande estaria de vez saciada ali, naquele ano de 2010. Mas passados alguns meses da grande remada, o pensamento voltou a rondar. Quando pensava em limites, pensava na Ilha Grande. Quando pensava na Ilha Grande, pensava em determinação e treino. Senti que precisava fazer aquilo sozinha. Precisava fazer aquilo por mim, pelo simples desejo de saciar uma vontade muito grande de remar, remar, remar... E aí eu relembro, uma vez mais neste momento, a frase sublinhada do livro do Amyr Klink: "Minhas dúvidas sobre barcos, a vida em volta deles e os seus segredos multiplicaram-se feito larvas." Fui tomada pela curiosidade crônica nos olhos e a fixação por colocar em prática ideias simples que me acometem de repente.
E no dia 08 de abril de 2012, não à meia noite e meia, mas sim ao meio dia e meia, saí para minha jornada solo, de canoa havaiana, com destino à Ilha Grande. Desta vez, levava o nome da minha cidade, pois saí da Praia de Charitas. Vinte e oito horas depois, pisei novamente na Ilha Grande, após usar como combustível apenas meus músculos, minhas reservas de gordura e meus sonhos.

Remada de Niterói a Ilha Grande. Abril 2012. Fotografia: Theo Andrade

 Este é um vídeo que mostra três minutos das longas 17 horas de remada em 2010. Dá para ter ideia do que é remar na Restinga da Marambaia:   
                                         

ALOHA E A ATÉ A PRÓXIMA POSTAGEM!
Luiza Perin