quarta-feira, 8 de abril de 2015

Remadores de Fibra - PARTE II - Um abraço!


Abraço da pequena Alexia, menina de 5 anos com Fibrose Cística.
Abraçar - ato de envolver com os braços uma pessoa, animal, planta ou coisa. É usado, dependendo da cultura, como forma de demonstração de afeto. Por meio do abraço podemos cumprimentar ou expressar sentimentos de amor, carinho, compaixão, saudade, gratidão, etc. O abraço pode expressar sentimento que vem da alma. Pode ser verdadeiro ou falso, grande ou pequeno, curto ou prolongado. E também pode ser físico ou espiritual. Se abrimos os braços em forma de crucifixo no alto de uma montanha, por exemplo, isto pode ser um simples um alongamento lateral. Mas se no mesmo topo de montanha abrimos os braços por pura alegria na alma, isto pode ser um abraço à vida!
Minha prima Otavia no vulcão Orongo, em nossa viagem à Ilha de Páscoa em 2013.

#abraçoespiritual
A expressão "abraçar uma causa" é usada quando alguém ou um grupo de pessoas se apropria dos sentimentos de outro alguém ou outro grupo e os toma como seus, passando a tê-los como próprios sentimentos, lutando ou defendendo pelos mesmos objetivos que o seu próximo.
Entre braçadas e abraços, os Remadores de Fibra abraçaram a causa da Fibrose Cística, conheceram a luta do Instituto Unidos pela Vida e escolheram remar em forma de abraço, com o intuito de divulgar a doença genética para que mais estudos e pesquisas encontrem um dia sua cura. 
Usar os braços é algo que o remador gosta de fazer. Temos braços fortes e treinados para remar e para abraçar causas do bem com bastante força. Com a força de nossos braços.
Os Remadores de Fibra abraçaram a causa da Fibrose Cística e remaram por 12h45min de Niterói a Ilha Grande, percorrendo 130km entre a Praia de Itaipu e a Praia do Abraão. 
"Pûliki" é a palavra em havaiano para "abraço".
Abraço de amiga. Eu abraçando minha amiga remadora Milla em nossa chegada na Praia do Abraão.
Quando temos muitas pessoas para abraçar ao mesmo tempo, trocamos energias dando as mãos em um círculo. Fotografia: Fred Gomes
Meus amigos, o casal Milla e Bruno. Fotografia: Fred Gomes
Abraçando minha amiga Tati. Fotografia: Fred Gomes
Quando temos muitas pessoas para abraçar ao mesmo tempo, trocamos energias dando as mãos em um círculo. Fotografia: Fred Gomes

Quando temos muitas pessoas para abraçar ao mesmo tempo, trocamos energias dando as mãos em um círculo. Fotografia: Fred Gomes
Quando temos muitas pessoas para abraçar ao mesmo tempo, trocamos energias dando as mãos em um círculo. Fotografia: Fred Gomes
Abraço de gorila. Eu e meu marido Fabiano na casa que alugamos em Maui,no Havai, na temporada de downwinds de 2014.
Um abraço e até a próxima postagem!
Luiza Perin
08 de abril de 2015
(Em busca de apoio para a modernização deste blog....)

domingo, 5 de abril de 2015

Remadores de Fibra - PARTE I


Equipe completa na Praia do Abraão - Ilha Grande. Fotografia: Fred Gomes

O capitão Max, responsável pela traineira Rio Boa Sorte, relata: "Quando dizia aos meus colegas do clube, também donos de barco, que acompanharia um grupo de 14 atletas que sairiam remando da Praia de Itaipu até a Ilha Grande, todos perguntavam: - Eles são loucos? Eu respondia: - Não. São de fibra." 

O Remadores de Fibra nasceu da parceria da escola de canoa havaiana Itaipu Surf Hoe com o projeto Equipe de Fibra, do Instituto Unidos pela Vida, com o intuito de fortalecer o propósito destes dois últimos de divulgar a doença genética Fibrose Cística, uma doença que afeta os sistemas respiratório e digestivo de crianças gerando graves complicações a sua saúde. Remar de Niterói a Ilha Grande defendendo a causa de crianças com uma doença ainda sem cura foi o combustível desta travessia.  

A largada foi a 1h da manhã de sexta-feira, 03 de abril de 2015. Ver o amanhecer do dia em plena remada foi lindo. Mas o início, durante a noite, foi de arrepiar. Sair a 1h da manhã com a lua completamente cheia e a superfície do mar prateada com seu reflexo foi algo emocionante. As vagas estavam grandes mas não tinha vento forte, apenas uma leve brisa soprando pelas costas. A canoa subia e descia nas ondas, seguindo o balanço do mar, mas não havia respingo de água nos remadores, não havia aspecto de mar mexido, apenas o silêncio daquela noite enluarada quebrado pelo som dos remos deslizando na água. Senti algo que os antigos da polinésia deviam sentir ao lançar suas canoas na vastidão do Pacífico para chegar em ilhas remotas sem saber se voltariam: sensação de desbravamento. A segurança com que eu estava iniciando esta travessia em pleno Século XXI, em uma canoa fabricada e equipada com tecnologia e acompanhada por um barco de apoio, sem dúvida era bem maior que a dos ancestrais polinésios, que precisavam dar as primeiras braçadas à luz da lua ou sob as estrelas sem prever em quanto tempo chegariam ao seu destino. E sem nem mesmo ter a certeza de que chegariam... Mas a confiança em nós mesmos e o imenso respeito que sentíamos pela canoa nesta madrugada, acredito, eram os mesmos que o destes ancestrais homens do mar. Em momentos ímpares assim, remando para longe em um fino casco de barco, o sentimento de cuidado e respeito pela canoa fica mais vivo. Ela passa a ser a nossa pequena ilha de segurança naquele horizonte escuro. Passa a ser parte da nossa família, um integrante da nossa equipe e um elemento primordial para o sucesso ou fracasso da empreitada. Molokai, a canoa vermelha do Itaipu Surf Hoe, acredito que tenha passado da sua infância para a adolescência após esta expedição. Trabalhou incansavelmente por 12 horas e 45 minutos sem interrupção, amadureceu e ganhou respeito ao vencer os 130km entre a Praia de Itaipu e a Ilha Grande sem nos deixar em apuros.
Passando pela Laje da Marambaia, na reta final da remada. Fotografia: Fred Gomes
Ao amanhecer já estávamos praticamente na metade do caminho, no início da Restinga da Marambaia. Dali em diante a paisagem não se altera. É monótono e o remador tem que controlar a ansiedade, pois são 43km sem mudança do cenário: mar, faixa de areia, restinga e céu, nada mais. Somado aos movimentos contínuos e repetitivos da remada, este trecho do percurso leva quase a uma hipnose e é preciso força e determinação para sair dali com a moral ainda erguida.

Na chegada, pegamos uma forte correnteza no Canal de Sepetiba para entrar na Baía da Ilha Grande, mas logo avistamos nosso objetivo final e aí foi só alegria. Pisamos juntos na areia grossa da Praia do Abraão - os 14 remadores que se revezaram no trajeto - demos as mãos fazendo uma roda envolvendo a canoa e agradecemos a Deus e a todas as forças do Universo por conspirarem para que tudo desse certo: condições de mar perfeitas, canoa em ótimo estado e atendendo a todas as nossas expectativas, plena sintonia entre os atletas e um excelente trabalho da equipe de apoio composta pelos três tripulantes da traineira Rio Boa Sorte, dois massoterapeutas, um cinegrafista e um fotógrafo.

A equipe dos Remadores de Fibra foi recebida na Praia do Abraão por crianças com Fibrose Cística e seus familiares. Fotografia: Fred Gomes
A equipe dos Remadores de Fibra foi recebida na Praia do Abraão por crianças com Fibrose Cística e seus familiares. Fotografia: Fred Gomes
O ponto alto da nossa chegada foi o encontro com duas crianças com Fibrose Cística, Antony e Alexia, seus familiares e demais defensores da causa, que foram até a Ilha Grande só para nos receber e agradecer pela campanha iniciada. Naquele momento sentimos que ao fortalecer nossos braços e corpos com aquela remada, era como se estivéssemos levando mais força para eles próprios ali na areia a nos esperar. Passamos a entender que quanto mais pessoas conhecerem a Fibrose Cística, mais atenção a doença receberá e, consequentemente, mais estudos e mais pesquisas poderão um dia encontrar sua cura.

O projeto Remadores de Fibra não termina com a chegada na Praia do Abraão. Pela divulgação da Fibrose Cística muitas águas ainda vão rolar, e digo isto nos dois sentidos da expressão, com remadas e campanhas em defesa da causa do Antony, da Alexia, do Pedro, da Thamires e de tantas outras crianças e jovens que um dia se descobriram com Fibrose Cística.

Em breve, aqui no Vou de Canoa, mais fotos e histórias sobre os Remadores de Fibra.

Esta remada teve o essencial apoio de:
  • Instituto Unidos pela Vida
  • Projeto Equipe de Fibra
  • Secretaria de Esporte e Lazer de Niterói
  • Toyota SGA Oceânica
  • Way Suplementos
  • Copy&Cor
  • Studio de Pilates Flavio Pontes
  • Instituto Collunas
  • Fred Gomes Fotografia
  • Adriano Diogo Filmes

Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin (em busca de apoio para modernizar o layout deste blog...)