sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dicas de Itaipu para o Aloha Spirit - o que fazer, onde comer e como entender o mar

Aloha é uma expressão havaiana usada como forma de saudação ou despedida pelos nativos daquele paradisíaco arquipélago polinésio. Seu significado vai além da tradução de um simples "olá" e "adeus". Aloha pode ser usado para expressar afeto, paz, amizade, hospitallidade, etc. Esta palavra se tornou popular e passou a ser falada também por não havaianos quando surfistas estrangeiros começaram a descobrir o Hawaii e levavam para seus países o lifestyle havaiano.


A OC4 Paikea com as ilhas Mãe e Pai ao fundo. Praia de Itaipu.
Fim de tarde em Itaipu. Foto: Luiza Perin
É neste clima de aloha que Niterói recebe pela primeira vez em 2014 o Aloha Spirit, um evento que une diversas modalidades aquáticas como canoa havaiana, surfsky, stand up e natação. O evento aconterá na Praia de Itaipu nos dias 24 e 25 de maio e prevê a participação de cerca de 500 atletas. Se você é um deles, esta postagem é pra você! Conheça algumas coisas que você pode fazer em Itaipu e Itacoatiara no final de semana que estiver em Niterói para esta competição. Iorana, bem vindo! E aloha!

A Praia de Itaipu é uma das mais pitorescas da cidade de Niterói. Situada entre uma laguna (Lagoa de Itaipu) e uma montanha (Morro das Andorinhas), sua vila de pescadores local resistiu aos chamados "avanços do progresso e urbanização" e preservou ares bucólicos e tranquilos de uma comunidade que vive primordialmente da pesca tradicional. Em razão disso, o Estado reconheceu sua importância e a importância de preservar a biodiversidade marinha local decretando recentemente a criação de uma RESEX ali. RESEX é a sigla para Reserva Extrativista, um tipo de Unidade de Conservação da natureza caracterizada por preservar uma cultura extrativista local - neste caso, a cultura da pesca - para a manutenção da biodiversidade. A RESEX de Itaipu dá aos pescadores tradicionais o direito de praticar a pesca de forma sustentável naquela região, proibindo a pesca industrial dentro de seus limites que, além da Praia de Itaipu, abrangem também as praias de Itacoatiara, Camboinhas e Piratininga.

Ao chegar para o campeonato, o competidor logo verá na faixa de areia da Praia de Itaipu uma série de barcos de pesca artesanal, simples e rústicos. No meio deles, para os remadores mais ligados, três canoas havaianas se destacarão: Itaipu, Ayra e Paikea. São as canoas do Itaipu Surf Hoe, a escola de formação de remadores de Luiza Perin (eu), Fabiano Faria (meu marido) e Fabio Valongo, situada a poucos metros da areia.

Chegando em Itaipu a rua começa a ficar mais arborizada, já emanando o clima de "lugar tranquilo de praia". Ao se aproximar da praia o remador verá uma praça redonda que serve também como retorno dos veículos, uma vez que a estrada termina ali. E é ali também que algumas linhas de ônibus têm o seu ponto final. Exatamente à esquerda desta praça está o estacionamento do Itaipu Surf Hoe, uma grande área gramada ao pé de uma rocha com vegetação de mata atlântica e a sede da escola de remo ao fundo. Banheiros feminino e masculino com chuveiro, água para lavar as embarcações no final do evento e, acima de tudo, segurança.


Área do Itaipu Surf Hoe situada a 50 metros da areia. 

ONDE COMER
Uma boa sugestão para almoço é apreciar um prato de frutos do mar de algum restaurante local. Depois de competir, guarde sua prancha ou canoa com segurança no Surf Hoe - se estiver com seu carro estacionado lá - e caminhe por dentro da vila dos pescadores até encontrar o restaurante que mais lhe agrade. Panela Furada, Restaurante do Jorginho, Bar Garoupa, Bar do Paulinho e Restaurante Canoas são alguns deles. Todos com vista para a enseada do canto de Itaipu, com o pôr-do-sol mais maravilhoso de Niterói durante o verão.

À noite, se quiser um barzinho movimentado e com gente bonita, não deixe de conhecer o Bar e Restaurante Areias, situado na esquina do trevo de Itacoatiara, a dois minutos da Praia de Itaipu. Para aqueles que preferem um canto romântico e mais sossegado, a Pizzaria Tuti Amici é a melhor pedida. Um casarão arborizado trasnformado em restaurante que serve bons vinhos e uma ótima pizza, a cinco minutos de Itaipu.



O QUE FAZER ALÉM DE REMAR

A Região Oceânica de Niterói está situada no vale de uma cadeia de montanhas que fazem parte do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Toda área verde observada pela redondeza faz parte desta Unidade de Conservação que preserva florestas, costões rochosos, mangues, rios e restingas. Há algumas trilhas rápidas que podem ser percorridas em 30 minutos para deslumbrar lindas vistas da região e da paisagem do Rio de Janeiro. Do Morro das Andorinhas e do Costão de Itacoatiara é possível ver o Pão de Açucar, Corcovado, Pedra da Gávea e vários outros pontos característicos do Rio de Janeiro.

Vale a pena também uma passagem pela Praia de Itacoatiara para conhecer o berço de grandes surfistas de elite como Bruninho SantosGuilherme Herdy e Ricardo Tatuí e entender porquê esses caras se destacaram tanto com o surfe no pé. Itacoatiara pede respeito sempre. 


Praia de Itacoatiara vista a partir do Morro das Andorinhas. Trilha de 30 minutos com acesso pela Rua da Amizade, em Itaipu, próximo à Igrejinha de São Sebastião.  Foto: Luiza Perin
Praia de Itacoatiara em primeiro plano e as praias de Camboinhas e Piratininga ao fundo. Na paisagem o Pão de Açucar e montanhas do Rio de Janeiro também ao fundo. Vista do Costão de Itacoatiara, 30 minutos de caminhada com acesso pelo bairro de Itacoatiara na portaria do Parque Estadual da Serra da Tiririca (Rua das Rosas, n. 24). Foto: Luiza Perin
Localização de Itaipu na Região Oceânica de Niterói. A Ilha Mãe é um excelente passeio para remadores. Na postagem "Descobrindo a Ilha Mãe", neste blog, falo sobre ela. 
O Morro das Andorinhas e a Ilha da Meninna. Ali é a enseada onde acontecerá o Aloha Spirit. Foto: Luiza Perin


Janaína, a dançarina havaiana do meu carro, na rua de acesso à Praia de Itaipu.  
Praça central da Praia de Itaipu, no ponto final de algumas linhas de ônibus e o Morro das Andorinhas ao fundo, de onde se tem uma bela vista das praia da Região Oceânica e do Rio de Janeiro. 
Janaína chegando em Itaipu. Mar ao fundo e a placa da Prefeitura mostrando um bom motivo para se estar ali! 
Condição de balneabilidade: RECOMENDADO
Entrada do estacionamento do Itaipu Surf Hoe à esquerda da praça central de Itaipu. 
Entrada do estacionamento do Itaipu Surf Hoe. 
E finalmente sobre o mar, algumas informações rápidas:


  • O Sudoeste entra de frente na Praia de Itaipu.
  • O mar pode estar bem grande em outras praias como Itacoatiara, Camboinhas e Piratininga, mas em Itaipu sempre há condições mais favoráveis para embarque e desembarque. 
  • No meio da praia, a 30 metros da areia, há uma laje rasa que o remador deve evitar passar por cima com sua prancha ou canoa. 
  • Na Ilha Mãe também há uma laje em sua face Norte, ou seja, apontada para a praia. Esta laje deve ser evitada pois ali quebram ondas irregulares e cavadas que podem provocas incidentes. Já quebrei uma ama de OC4 ali. Ao fazer o contorno da ilha, evite se aproximar muito dela por isso. 
  • Na Ilha da Menina há uma corrente de retorno praticamente constante empurrando o remador para a areia. Ao passar no canal entre a Mãe e a Menina, procure se aproximar desta última e pegar a esteira que corre em direção à praia, bem colado na pedra. 
  • No canto direito da praia há o Canal de Itaipu, que divide Itaipu e Camboinhas. Ali quebram umas ondinhas ótimas para aprender a surfar ou para surfar de stand up. 
Ilha da Mãe em primeiro plano e Ilha do Pai ao fundo. 
Ilha da Menina ao fundo. 
ALOHA (SPIRIT) E ATÉ A PRÓXIMA POSTAGEM!
Luiza Perin




terça-feira, 20 de maio de 2014

30 Motivos para Amar a Canoa Havaiana

Um golfinho passando entre duas canoas do Itaipu Surf Hoe. 
Volta e meia me pego buscando em palavras alguma definição que explique o meu amor pela canoa havaiana. Criei o blog Vou de Canoa para tentar transformar este sentimento em leitura. Desde 2005, quando comecei a remar com o instrutor Marcelo Depardo - um dos precursores do esporte no Brasil, a canoa passou a fazer parte da minha vida de forma cada vez mais intensa. 

Hoje dou aulas de canoa e stand up paddle na Praia de Itaipu, onde mantenho a escola de formação de remadores Itaipu Surf Hoe. A proposta do Surf Hoe é como a do blog: dividir com mais pessoas este amor pelo mar. Mais do que uma simples guarderia e centro de remadores, naquele espaço a ideia é transformar vidas.

Já escrevi sobre este tema em postagens anteriores. A canoa é uma analogia da vida: "Quanto mais longe minha remada no mar, mais perto chego de mim mesma"

Nunca encontrei uma única definição para esta paixão. Mas encontro em muitas palavras, em muitos textos aqui publicados e em uma remada após a outra a minha certeza: a remada me transforma!

A cada remada a natureza me manda um sinal de que estou no caminho certo ao compartilhar este amor com outras pessoas. No último final de semana, a natureza me mandou mais de 30 sinais de uma só vez. Em um dia especial, em que levei uma querida amiga cadeirante para uma experiência na canoa, cerca de 30 golfinhos nadaram por vários minutos ao nosso redor. 

Dani com a equipe do Itaipu Surf Hoe.


























No verão de 2011 Dani foi acometida por uma rara doença autoimune chamada neuromielite óptica, que afeta a medula espinhal e o nervo óptico. Por ser uma doença rara, pouca coisa se sabe a respeito e a medicina ainda não conseguiu explicar o que gera esta agressão do próprio corpo em seus tecidos. No primeiro ano de sua luta para combater a doença a Dani fez um tratamento no renomado centro de reabilitação do Hospital Sarah Kubitschek de Brasília, onde teve uma experiência com o remo, e desde então surgiu a ideia do que concretizamos na Praia de Itaipu nesta manhã de sábado. 

Sete remadores do Itaipu Surf Hoe se reuniram com um único objetivo: presentear a Dani com a energia do mar. Mas para nossa surpresa foi a energia da Dani na canoa que nos trouxe um presente. Uma mulher guerreira, de ótimo astral e força de vontade foi quem mobilizou nossa ida ao mar neste manhã, quando remamos em um mar liso e perfeito, sem vento e sol ameno com a presença de mais de 30 golfinhos!


O rastro dos golfinhos passando entre as canoas e a comemoração dos remadores.
Foto do remador de SUP Maurílio Soares.
Dani na canoa do Itaipu Surf Hoe.







A Dani sentada na canoa enquanto levamos a embarcação com segurança para a areia. 

A doença da Dani, conhecida também como Doença de Devic ou NMO (neuromielite óptica), ainda não tem cura. A Dani toma medicamentos há dois anos para evitar novos surtos de inflamação em sua medula. Quando a inflamação acabar, ela poderá voltar a andar, e ela tem lutado constantemente para isso! Trabalhando corpo e mente, a Dani vem se nutrindo de todos os elementos necessários para sua recuperação. Fisioterapia, foco, força e

Buscando palavras para a definição de todo aprendizado da canoa havaiana, encontrei neste dia apenas duas que resumem alegria, determinação, força de vontade e fé: DANI AMERICANOEm sua página no Facebook ela conta detalhes de sua luta e fala com esclarecimento sobre a doença.

Quanto aos golfinhos, eles transformaram a vida de cada remador daquela canoa em mais alegria! Eles foram o presente que a Dani nos trouxe neste dia! 

Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin