domingo, 25 de novembro de 2012

Remando em canoa caiçara

Sassá e Júlia me levando para um passeio de canoa caiçara no rio de Martim de Sá.
Toda vez que vou para Martim de Sá de canoa havaiana, os pequenos caiçaras ficam curiosíssimos com estes "caiaques diferentes"... Coloridos como as próprias canoas caiçaras, as embarcações polinésias atraem a atenção desse povo tradicional que vive do mar, e as crianças sempre pedem para dar um passeio. 

Sassá, uma das netas do Seu Maneco, remando de canoa havaiana em fevereiro de 2012.


Na canoa caiçara Princezinha, em novembro de 2012.
Em minha última ida a este paraíso da Costa Verde, estava sem minha canoa. Eis que veio a retribuição dos pequenos: "Luiza, quer passear na nossa canoa?". E assim foi que conheci a Princezinha, a canoa da caiçarinha Júlia, que na foto acima aparece remando, de blusa listrada. 
Com Leleco, um dos netos do Seu Maneco, em 2009, brincando na prancha de surfe.
Em 2012, a retribuição do caiçarinha, já mais crescido, que me levou para um passeio pelo rio.
Aí está a Princezinha em seu reinado, no atracadouro caiçara do Saco das Anchovas.

Caiçaras na Praia Cairuçu das Pedras, se lançando ao mar em uma tradicional canoa, remando em pé, para "puxar o cerco", como dizem. Eles mantém um pequeno cerco à direita desta foto, após as pedras, que captura peixes na quantidade certa para a subsistência da comunidade familiar que vive naquelas região.

Este link abaixo é de um filme que está no meu canal do Vimeo, com um vídeo editado de 7 minutos mostrando canoas caiçaras e polinésias se descobrindo:

"CULTURAS DO MAR"
https://vimeo.com/37835503


Ajude a valorizar a cultura caiçara!
Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin


domingo, 14 de outubro de 2012

Livros do Mar




"Saber fazer uma boa leitura do mar" é o que costumo recomendar aos amigos que aspiram por remadas em canoa polinésia, caiaque, stand up, etc. Esta "leitura" consiste em saber interpretar antecipadamente as previsões das condições do mar e do vento e saber avaliar in loco as condições de navegação que a superfície do mar apresenta em função de ondas, vento, correntes e outros fatores importantes. 
Mas quando nossos olhos não prescrutam o horizonte ou a linha de arrebentação buscando a avaliação responsável sobre as condições de navegação, outro tipo de leitura também pode ser muito rica para os amantes do mar: a leitura de livros.

Estes são alguns exemplares da minha pequena bibliteca. Livros bons têm que ser lidos, estudados, devorados, navegados e emprestados. Empresto com prazer, basta pedir. Mas aviso logo: sou do tipo que anota o empréstimo e cobra a devolução. Deixo aqui algumas dicas:

1) O MAR: 
Livro de fotografias maravilhosas de mares de diversos cantos do mundo. Mar calmo, mar revolto, mar com homens, com bichos, com céu, ondas, barcos... um verdadeiro espetáculo de fotos e cores. Perfeito para manter na cabeceira ao lado da cama ou do sofá, pois o legal é folheá-lo sem preocupação em horas vagas. A única coisa que me decepcionou foi não ver em suas 735 páginas uma única foto do litoral do Brasil. Por ser um livro de fotos e não de leitura, para este exemplar recomendo mais a aquisição do que o empréstimo. Mesmo assim, está disponível para quem quiser folhear...


2) LINHA D'ÁGUA - ENTRE ESTALEIROS E HOMENS DO MAR (Amyr Klink): 

Este é um dos meus meus prediletos, já li umas três vezes.

“(...) barcos lendários cruzam amarras com viajantes anônimos. Nenhum de seus tripulantes se mostra por isso especial. O tamanho de seus cascos ou façanhas mede-se menos por pés ou milhas navegadas e mais, muitas vezes mais, pela alma dos que vão dentro”.  

Adoro os livros do Amyr e aqui ele diz que a façanha de um navegante não se mede pelas milhas navegadas, mas pela sua alma. Já escreveram sobre a incrível capacidade que ele têm de pôr em prática a maioria das ideias que lhe ocorrem, atribuindo-lhe uma qualidade batizada como "acabativa", ou seja, ele não tem só a "iniciativa" de começar a elaborar seus planos e projetos. O cara é tão pragmático, detalhista e insistente que é capaz de realizar todos o seus ideais. Editora Companhia das Letras. Neste livro ele conta sua saga para construir o veleiro Parati II a fim de realizar mais uma sonhada expedição. 

3) A ONDA (Susan Casey):

Tsunamis, tempestades, formação das ondas... Histórias de ondas oceânicas gigantescas que engolem navios, desafiam cientistas e fascinam os surfistas. Susan Casey, a autora deste livro, conta a história de suas pesquisas sobre as maiores ondas do mundo. Ela não é surfista, mas sim uma excelente escritora que conversou sobre ondas com grandes surfistas como Laird Hamilton e com oceanógrafos pesquisadores, oficiais da marinha, pescadores e toda a natureza de homens do mar para embasar suas interessantes conclusões. Editora Zahar.

Hamilton (Laird) voltou à superfície, segurando um punhado do fundo. Não era uma areia de grãos finos, mas uma mistura bruta de rochas quebradas. Jaws não é o tipo de lugar convidativo, e demos meia volta para retornar”. 

4) DEZ ANOS NO MAR (Família Schurmann): 
Muito legal a história da Família Schürmann. A Heloísa e o Vilfredo contam que a decisão de partir com seus três filhos pequenos num veleiro ao redor do mundo, em 1984, foi tomada muitos anos antes de zarpar. Todos da família dão o seu relato em alguma parte do livro. Eles passaram por momentos tensos no mar, se viram em meio a ondas superiores a dez metros e ventos de 120km/h na Nova Zelândia. Mas também conheceram paisagens maravilhosas e calmas, fizeram grandes amigos e tiveram experiências incríveis e inesquecíveis em culturas bem diferentes da nossa. Eles foram a primeira família de brasileiros a "soltar as amarras" desta forma. Os filhos estudavam à distância, por correspondência. Na adolescência, dois dos meninos desembarcaram em algum ponto do mundo para se dedicar aos estudos. Como em todos os relatos de navegantes desbravadores dos sete mares, percebe-se que a experiência de navegar é uma parábola do autoconhecimento, como se cada milha navegada para longe de nossas raízes fosse equivalente a uma milha navegada para dentro de nós mesmos. Linda a história dessa família. Percebe-se, num relato simples de se ler, que são pessoas absolutamente comuns, como qualquer um de nós, mas que fazem coisas incríveis. Eles não são extraordinários, mas são pessoas comuns fazendo coisas extraordinárias, e é aí que está o fascínio. 

5) MAR SEM FIM (Amyr Klink): 
Fascinante como quase todos os livros do Amyr Klink. 

6) A HISTÓRIA DE QUANDO ÉRAMOS PEIXES (Neil Shubin): 
Adorei ler este livro. Me interessei, inicialmente, por causa da biologia, pois ele versa sobre a teoria da origem e evolução do corpo humano ao longo da história da evolução das espécies, e mostra como temos familiaridade até com os peixes – daí o seu título. Mas o autor, Neil Shubin, é super descontraído e fala de maneira tranquila, e às vezes até engraçada, sobre  a ancestralidade comum de todos os seres vivos da Terra. Por isso vale a pena a leitura até para quem não é da área da biologia. Você sabia que os seres humanos possuem “fendas branquiais” quando embriões? O termo “branquiais” vêm de “brânquias”, ou seja, as guelras que os peixes têm. Volta e meia, geralmente quando assisto filme com ondas enormes ou quando leio livros como o "A Onda", imagino como seria se a gente pudesse respirar debaixo d’água. Se tivéssemos brânquias como os peixes daria para surfar em qualquer mar sem preocupação de se afogar! A História de Quando Éramos Peixes discorre sobre o “projeto corporal” do ser humano explicando sobre a origem desde os seres unicelulares até a complexidade dos seres pluricelulares, falando dos seres bilateralmente simétricos, dos seres tetrápodes (com quatro membros – quatro patas; duas patas e duas asas; quatro nadadeiras; etc.). Ele fala sobre a evolução dos mecanismos de visão, audição, mobilidade e vários outros aspectos do corpo humano mostrando nossa familiaridade com os todos os seres da Terra. Recomendo! Seja você da área de biologia ou não! É muito interessante e cheio de curiosidades legais de se contar numa roda de amigos. Editora Campus.

7) METEOROLOGIA E OCEANOGRAFIA - USUÁRIO NAVEGANTE (Paulo Roberto Valgas Lobo e Carlos Alberto Soares): 
Esse livro é bastante técnico. Não conta nenhuma história e você pode ler ao longo da vida toda a parte que te interessar na página em que abri-lo. Para quem navega, é muito útil!

8) NAVEGAR É FÁCIL (Geraldo Luiz Miranda de Barros): 
Um livro super técnico e didático, às vezes até cansativo de ler. Mas esta é uma bibliografia básica para todo remador que se faz ao mar sozinho. Conhecer regras do mundo náutico é imprenscindível para uma navegação segura. Conhecer as regras de navegação e outros detalhes técnicos do mundo náutico facilitam muito as tomadas de decisão quando se está no mar. 


9) DOIS CONTRA O CABO HORN (Hal Roth): 
Esse livro conta a história de dois velejadores que foram atingidos por uma violenta tempestade e atirados sobre uma desolada margem. Sobreviveram por nove dias até que um navio patrulha chileno os tirou dali. Continuaram a viagem e percorreram 20 mil milhas. Muito interessante.

10) OS GOLFINHOS - ORIGEM, CLASSIFICAÇÃO, CAPTURA INCIDENTAL E HÁBITO ALIMENTAR (Ana Paula Madeira di Beneditto, Renata Maria Arruda Ramos e Neuza Rejane Wille Lima): 
Pra quem gosta de golfinhos (quem não gosta?), recomendo esse livro. Super simples mas esclarecedor sobre esses encantadores mamíferos aquáticos.

11) TRILHAS DO MAR (Rodrigo Magalhães): 
Este livro foi escrito por um amigo meu, Rodrigo Magalhães. Ele é um grande remador de caiaque e um cara altamente “agregador”. Onde quer que esteja, ele é sempre uma pessoa que une pessoas. Ele adora compartilhar coisas boas, seja com amigos ou conhecidos. Acho que esta característica deve ter sido uma das motivações que o levou a escrever este livro, em que ele divide alguns princípios básicos da canoagem e fala das possibilidades de passeios de caiaque pelo litoral carioca. Publit Soluções Editoriais. Mas não acaba por aí! Além do livro, ele tem o blog com o mesmo nome do livro:  http://trilhasdomar.blogspot.com.br/ Vale a pena visitar!

12) A TRAVESSIA DO SNARK (Jack London): 
Adoro este livro! Trata-se de um relato apaixonado sobre uma travessia oceânica pelas ilhas do Pacífico ocorrida em 1912, desvendando pessoas e culturas de ilhas super isoladas em um tempo muito remoto. É muito, muito, muito interessante! Eu adoro porque fala das canoas polinésias, fala sobre alguns termos e expressões em tahitiano como por exemplo: iorana, que é uma palavra de boas vindas, assim como o aloha para os havaianos. E tem outra coisa muito legal nesse livro: ele tem fotos super antigas, em preto e branco e com  baixíssima resolução (de 1912!) com imagens de surfe e canoas... Editora Best Seller.


“Nossos amigos não conseguiam entender por que íamos fazer a viagem. Abanavam a cabeça, suspiravam e erguiam as mãos. Por mais que explicássemos não houve meio de fazê-los compreender que nos encontrávamos no limite da resistência em relação à vida que levávamos; que era mais fácil para nós sair pelo mar num pequeno barco do que ficar naquela terra seca, do mesmo modo que era mais fácil para eles ficar naquela terra seca do que sair pelo mar num pequeno barco”.

13) O PLANETA AZUL (João Miragaia Schmiegelow): 
Este não é um livro de história nem de relato de navegação. É um livro didático sobre ciências do mar. Mas tão simples e deliciosamente escrito que qualquer um pode se aventurar a navegar por suas páginas para aprender sobre formação de ondas, granulometria (estudo dos grãos de areia), etc.

14) A SAGA DE UM CAMPEÃO (Lars Grael): 

Família Grael, admirável família de guerreiros do mar!

15) AS CONCHAS DAS NOSSAS PRAIAS: 

Esse é para os afissurados em conchas. Um livro técnico e didático, apenas isso. É gratificante folheá-lo e descobrir o nome científico daquela concha que você sempre viu na praia, desde criancinha, e nunca imaginou que ela tivesse um nome tão esquisito. Aliás, nunca nem imaginou que ela tivesse nome! Um livro das espécies de conchas do nosso litoral brasileiro.

16) HISTÓRIAS DO MAR: 
Um livro de lendas  sobre o mar provenientes de diversas culturas... uma gracinha! Me atraiu em especial uma lenda sobre a cultura polinésia em suas páginas.

17) O ECOSSISTEMA DOS RECIFES DE CORAL BRASILEIROS:
Este livro é uma compilação de alguns trabalhos científicos sobre recifes de coral do Brasil. É interessante para quem é da área da biologia marinha, mas recomendo a todos os amigos que gostam de ir a fundo nos conhecimentos sobre os ecossistemas marinhos. Principalmente para quem gosta de mergulhar. 


18) DO RIO A POLINÉSIA (Roberto de Mesquita Barros):
Esse é muito legal também! É o relato de um jovem que comprou um veleiro, arrumou uma namorada e saiu pelo mar atrás das paisagens maravilhosas da Polinésia. Juntos, eles aprenderam muito sobre o mar, viveram experiências e conheceram lugares incríveis.

19) UMA MULHER, UM CAIAQUE E O OCEANO (Simone Duarte): 
Da autora e remadora Simone Duarte. Tive o prazer de conhecê-la, muito por acaso e bem longe do mar, nas alturas da região de Salinas, no Parque Estadual dos Três Picos (região serrana do RJ). Este simples relato de sua remada solitária em seu caiaque, do Rio de Janeiro a Santos em 12 dias me emocionou profundamente. Percebi similaridades nos questionamentos dela com os meus próprios quando da minha remada de Niterói a Ilha Grande de canoa havaiana. Em um trecho, quando descreve seu início na canoagem, ela diz: 

"(...) me surpreendi acariciando o caiaque como a um cavalo! Achando graça do meu próprio gesto, comecei a considerar o quanto gostava das experiências vividas com aquele barquinho, e quantas ainda podiam ser projetadas... Não importava o porte das travessias. Poderia não ser uma façanha.O importante era a qualidade dos sentimentos que nelas eu vivenciaria." 

E fala ainda sobre travessias: 

"As marcas da passagem de um barco são rapidamente apagadas pelas águas, mas o que ocorre no interior do canoísta é fixado para sempre".


E ainda outros títulos interessantíssimos...
Outros títulos interessantes...
Destaque para o livro A INCRÍVEL VIAGEM DE SHACKLETON que relata uma emocionante aventura vivida em 1915 por 28 homens náufragos no Mar de Weddel, no Pólo Sul. Emocionante leitura!

Livros grandes, com texto e fotos. Destaque para o tahitiano VA'A - LE PIROGUE POLYNÉSIENNE e para livro sobre as Ilhas Cagarras do Projeto Ilhas do Rio.
Caso tenha se interessado por algum destes livros e queira emprestado, basta me escrever (luizaperin@yahoo.com.br). Para comprometimento com prazos de devolução, estipulei um aluguel simbólico de R$10,00 por mês. 


 
 
 
 
 
 

ALOHA E ATÉ A PRÓXIMA LEITURA!
Luiza Perin




quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Imua Guardiã: O FILME!

Filme "Imua Guardiã - 130km de Niterói a Ilha Grande em uma Canoa Havaiana" APROVADO NA MOSTRA COMPETITIVA do FATU - VIII Festival Brasileiro de Filmes de Aventura, Turismo e Sustentabilidade!!! 
O Festival acontece anualmente, desde 2004, na cidade de Socorro, importante pólo de turismo de aventura no estado de SP, e em Caxias do Sul, no RS. Este ano acontecerá também na cidade de Paraty, RJ, em novembro.
O curta metragem, dirigido por Thiago Silva e Guilherme Gerolimich e produzido pela Studio Prime, irá concorrer a troféus nas categorias de melhor filme, direção, fotografia, edição (montagem), trilha sonora, roteiro, júri popular e menção honrosa.
O FATU é o primeiro e único festival de filmes brasileiros especializado nos temas de aventura, turismo e sustentabilidade.
AUMENTE O SOM DO SEU COMPUTADOR E ASSISTA O FILME AGORA! É SÓ CLICAR AQUI:


Para mais informações sobre o festival, acesse:

FESTIVAL BRASILEIRO DE FILMES DE AVENTURA, TURISMO E SUSTENTABILIDADE 
E APÓS ESTA NOTÍCIA, AS HISTÓRIAS...
As 28 horas ininterruptas passadas em cima da minha canoa Guardiã, companheira de aventuras, foram resumidas nestes 10 minutos de filme em que você poderá sentir, junto comigo, as emoções de conquistar 130km de remada com os próprios braços, vencendo distâncias físicas e psíquicas impostas pela natureza e pela nossa própria mente.

A noite assusta quando se está no mar, singrando as águas em cima de uma fina embarcação de poucos metros. O corpo reage ao balanço que não quer parar. Músculos, fígado e estômago pedem socorro e a mente se torna o maior campo de batalha onde os grandes rivais são a razão e os seus ideias. A primeira diz que você deve parar; a segunda insiste em continuar. Os estímulos nervosos produzidos pela sua vontade muito grande de chegar enviam mensagens para o cérebro: "adiante, guerreira, adiante!" Imua! (Imua, em havaiano, significa "adiante").

O blog Vou de Canoa foi criado para dividir histórias da minha remada de Niterói a Ilha Grande sozinha em minha canoa havaiana. Navegando (remando) pelas publicações já postadas, você poderá ver fotos desta e de outras histórias do mar.
Porque eu fiz isso? Gosto muito de unir as minhas grandes paixões: a canoa havaiana e a luta pela preservação da Natureza. Tive apoio do Instituto Vital Brazil e do Instituto Estadual do Ambiente, este último aliando-se a mim para chamar atenção sobre a importância da criação da Área de Proteção Ambiental Estadual Marinha da Baía da Ilha Grande.
O propósito da remada foi mostrar que coisas que julgamos impossíveis podem acontecer.
Como uma mulher de pequenos músculos, 1,64m e apenas 53km encontra forças para vencer tamanha distância? A resposta está no filme e você pode encontrá-la nos dez minutos de cenas emocionantes selecionadas pela galera jovem da produtora Studio Prime, do meu amigo remador Thiago Silva.
Se fizermos um paralelo com o nosso dia a dia, poderemos ver que tudo em nossa vida pode ser movido pela determinação. Determinação de transformar o mundo, de viver com honestidade, com dignidade, de conduzir a vida respeitando a Natureza, respeitando os animais, os mares e respeitando o nosso próximo, estando ele ao nosso lado, do outro lado do mundo ou mesmo em futuras gerações. Esta é a mensagem! Que nossos anseios por um mundo melhor não se resumam em frases publicadas no mural do Facebook, mas que se transformem em atitudes e conduzam nossos atos no dia a dia! Imua, meus amigos! Imua!
"E de repente apareceu, numa nuvem de poeira, uma menina de bicicleta.
- Falta quanto? - perguntaram a ela.
E ela disse:
- Falta menos.
E foi-se embora na poeira."
EDUARDO GALEANO em "Os filhos dos dias" - tradução de Eric Nepomuceno;
Editora L&PM, Porto Alegre, 2012, p. 24).

Me encanto com a beleza e a vitalidade marinha, mas me assusto e me indigno diante da mórbida e irresponsável destruição dessa imensidão de água.
Quando a destruição se consumará? Quanto falta?
Minha resposta será a mesma que deu a menina de bicicleta que foi embora na poeira: "- Falta menos." (Obrigada, tio Geraldo, pelas sábias palavras sugeridas!)
Aloha e até a próxima postagem, amigos!
Luiza Perin



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Canoa havaiana em Itaipu!




Aloha! Esta é a Praia de Itaipu, em Niterói!
Ali atrás você vê a ponta do Morro das Andorinhas, formação rochosa que faz parte do Parque Estadual da Serra da Tiririca, e no horizonte as ilhas Menina, Mãe e Pai. 
Toda terça e quinta remadores de canoa havaiana e SUP exploram estas e outras belezas da Região Oceânica de Niterói.
Ilhas Austrais, 1920
A canoagem havaiana é um esporte milenar que tem origem nos mares do Oceano Pacífico, representando um estilo de vida de povos ancestrais da Melanésia, Micronésia e Polinésia. Da década de 60 em diante a prática começou a se disseminar pelo mundo a partir do Havaí, e por isso o esporte se popularizou com o nome de "canoa havaiana". Mas habitantes de todas as ilhas do Pacífico utilizam este estilo de embarcação com um estabilizador lateral chamado "ama", sustentado pelas duas hastes chamadas "iakos" (e estes nomes variam de ilha para ilha). Por isso, chamamos o esporte, também, de "canoa polinésia".


 Aulas de canoa havaiana e SUP na Praia de Itaipu, onde o aluno recebe também noções sobre a cultura do esporte.


DIAS: Segundas, quartas e sextas
HORÁRIOS: Das 5h45 às 7h10 da manhã ou das 7h10 às 8h30
MENSALIDADE: R$180,00 mensais
MATRÍCULA/AULA EXPERIMENTAL: R$45,00
LOCAL: Praia de Itaipu, n°05 (estacionamento ao lado da entrada para a Vila dos Pescadores)

Ilhas Botinas - Angra dos Reis, dezembro de 2011.
Circunavegação da Ilha Grande, dezembro de 2011.

Aulas avulsas particulares em OC2, ideais também para o primeiro contato com o esporte, com agendamento de dia e hora sob consulta pelo valor de R$70,00 (uma hora).

Regata Ratier 2011 (2º lugar), Enseada de Botafogo.
Desafio da Cotunduba 2011 (1º lugar).

Desafio da Cotunduba 2011 (1º lugar).
Ressaca de maio de 2011, Itapuca, em Icaraí, na Baía de Guanabara.

INFORMAÇÕES:
Facebook: Itaipu Surf Hoe ou luizaperin@yahoo.com.br

Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ilhas Maricás

Quem nunca foi à praia e, sentado na areia, de repente se viu admirando uma ilhazinha imaginando como seria ir até lá? 
De canoa havaiana, a gente imagina e depois vai! 
Essa vontadezinha faz os remadores do Rio de Janeiro conhecerem como a palma das mãos ilhas como Cotunduba, Cagarras e Forte Lage. Quantas e quantas remadas maravilhosas, encontros de amigos e até luau em noites de lua cheia já fizemos nestas porções de terra cercadas de água e descobertas por todos os lados...
Hoje vou escrever sobre um arquipélago especial. Trata-se de um pequeno conjunto de cinco ilhas e algumas lages que abriga uma natureza exuberante, ainda pouco conhecida pelos cariocas: 
...AS ILHAS MARICÁS...
Mas este maravilhoso arquipélago encontra-se altamente ameaçado pelo COMPERJ - o inescrupuloso Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. O progresso tem que existir, não sou contra o uso do plástico e de outros derivados do petróleo. Minha própria canoa, feita com fibra de vidro, resina e pequenas partes de plástico, precisou de toda a tecnologia do petróleo para existir nos moldes modernos como a conheço hoje. Além disso eu uso, como absolutamente todos que estão lendo estas palavras diante de um computador ou celular, os benefícios de materiais e bens derivados do petróleo. O que deve nos deixar alertas, no entanto, é falta de escrúpulos para a implantação do crescimento desta tecnologia. 
Vou lhes apresentar algumas fotos das Ilhas Maricás, o pequeno santuário de vida insular do qual estava falando... que se encontra a 25km da Praia Vermelha - Rio de Janeiro e a apenas 6km da Praia de Itaipuaçu - Maricá. E depois das fotos, voltaremos a refletir sobre escrúpulos...


De amarelo, caminhando pela ilha, um remador de canoa havaiana  revelando a proporção homem x ilha do local

Amigos remadores num paredão de rocha muito bonito!
Preste atenção nesta foto!!!!!!!!!!! Tem uma TARTARUGA MARINHA ENORME lá na água!!! 
Peixinhos para admirar...
Peixinhos para saborear...
Mata atlântica purinha...

Esta ilha chega a uma altura de 60 metros do nível do mar, e por ela se percorre uma trilha que chega a um farol
Pôr do Sol nas Ilhas Maricás e remadores de canoa havaiana e caiaque
Esta exuberância da natureza, com este sagrado pôr do sol entre amigos, eu visitei pela primeira vez em 2010. Depois disso, voltei lá outras vezes e nunca deixei de me surpreender!
Em dezembro de 2011, com meus amigos Douglas e Flavinho, remamos com baleias por vários minutos enquanto navegávamos próximo ao arquipélago. 
Mas antes de contar esta história e lhes mostrar o filme dessa brincadeira, deixe-me contar sobre o COMPERJ!
A Petrobrás vai construir um emissário terrestre/submarino para despejar todo o esgoto do Comperj no litoral de Maricá. Isso significa contaminar as praias não só daquele município, mas também de Niterói e Saquarema com óleos, graxas e outros rejeitos petroquímicos que nós sequer imaginamos. Isso vai prejudicar profundamente o ecossistema aquático das Ilhas Maricás, um lugar de extrema beleza submersa e, por isso, muito visitado por pescadores e mergulhadores. Ah, e claro, visitado também por baleias! Confiram este filme de 7 minutos com a energia das baleias e a beleza da ilha (link para o Vimeo): 
Olhe bem uma baleia passando a uns 5 metros da minha proa!!!!! E as Ilhas Maricás à esquerda...
Neste dia, saímos bem cedo da Praia de Itacoatiara e no caminho até as Ilhas Maricás tivemos este abençoado encontro. Era véspera de Natal e este foi um verdadeiro presente! Na ilha, me encantei novamente com a beleza do lugar: paredões rochosos, matas, restingas, farol, praia de conchas, animais marinhos, ÁGUA LIMPA!!! Mas por quanto tempo?!
O duto do Comperj está autorizado para liberar seus rejeitos esquisitos a apenas 2km da areia. Isso é muito pouco, considerando que as Maricás encontram-se a 6km da costa. Isso vai afetar, inclusive, a parte marinha do Parque Estadual da Serra da Tiririca! Esse duto não devia estar ali, mas se vai estar, deveria avançar, pelo menos, 10km mar afora. É claro que administradores do Comperj sabem disso, mas será que estão dispostos a gastar mais por causa de uma simples ilha pertencente a um município discretamente relegado socialmente? Em troca disso, começam a falar em royalties, empregos e progresso... Por isso falei de escrúpulos!
Olha a cor da água! A dica do sapatinho rosa: protege seus pés dos ouriços na hora do desembarque! E é super útil na caminhada pela ilha, que passa por trilhas no meio da mata, com espinhos e pedras quentes
A principal ilha do arquipélago possui 1,5km de extensão. Em suas redondezas, há um navio naufragado desde 1874, o naufrágio Moreno, não muito longe da Praia do Desembarque, a única praia das ilhas. Para o remadores, fica a dica: o acesso à prainha é no meio de pedras, bem estreito. O desembarque de OC6 pode ser possível apenas em dias de mar muito calmo; a melhor época para ir é no verão. Para OC1, OC2 ou caiaque o desembarque é mais folgado, mas mesmo assim deve-se prestar muita atenção nas pedras. Por isso, vale a pena conferir, antes de sair, o horário das marés e escolher uma hora de maré alta para chegar. Também vale a pena ficar ligado na previsão do vento. Se você pegar um Leste para voltar para Niterói ou para o Rio, tem chances de fazer um downwind maravilhoso!

Praia do Desembarque, toda de conchinhas. Caminhar descalço ali dói! Vale a pena levar um chinelo ou sapatinho de mergulho para andar tranquilamente por ali e pelo resto da ilha!
Remadores, visitem as Ilhas Maricás e reflitam sobre o duto do Comperj!
Para maiores informações sobre este empreendimento e o que a sociedade civil organizada pode fazer para proteger a ilha, visite o site do Movimento Preserve Assim:  http://www.preserveassim.org/


Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin