sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ilhas Maricás

Quem nunca foi à praia e, sentado na areia, de repente se viu admirando uma ilhazinha imaginando como seria ir até lá? 
De canoa havaiana, a gente imagina e depois vai! 
Essa vontadezinha faz os remadores do Rio de Janeiro conhecerem como a palma das mãos ilhas como Cotunduba, Cagarras e Forte Lage. Quantas e quantas remadas maravilhosas, encontros de amigos e até luau em noites de lua cheia já fizemos nestas porções de terra cercadas de água e descobertas por todos os lados...
Hoje vou escrever sobre um arquipélago especial. Trata-se de um pequeno conjunto de cinco ilhas e algumas lages que abriga uma natureza exuberante, ainda pouco conhecida pelos cariocas: 
...AS ILHAS MARICÁS...
Mas este maravilhoso arquipélago encontra-se altamente ameaçado pelo COMPERJ - o inescrupuloso Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. O progresso tem que existir, não sou contra o uso do plástico e de outros derivados do petróleo. Minha própria canoa, feita com fibra de vidro, resina e pequenas partes de plástico, precisou de toda a tecnologia do petróleo para existir nos moldes modernos como a conheço hoje. Além disso eu uso, como absolutamente todos que estão lendo estas palavras diante de um computador ou celular, os benefícios de materiais e bens derivados do petróleo. O que deve nos deixar alertas, no entanto, é falta de escrúpulos para a implantação do crescimento desta tecnologia. 
Vou lhes apresentar algumas fotos das Ilhas Maricás, o pequeno santuário de vida insular do qual estava falando... que se encontra a 25km da Praia Vermelha - Rio de Janeiro e a apenas 6km da Praia de Itaipuaçu - Maricá. E depois das fotos, voltaremos a refletir sobre escrúpulos...


De amarelo, caminhando pela ilha, um remador de canoa havaiana  revelando a proporção homem x ilha do local

Amigos remadores num paredão de rocha muito bonito!
Preste atenção nesta foto!!!!!!!!!!! Tem uma TARTARUGA MARINHA ENORME lá na água!!! 
Peixinhos para admirar...
Peixinhos para saborear...
Mata atlântica purinha...

Esta ilha chega a uma altura de 60 metros do nível do mar, e por ela se percorre uma trilha que chega a um farol
Pôr do Sol nas Ilhas Maricás e remadores de canoa havaiana e caiaque
Esta exuberância da natureza, com este sagrado pôr do sol entre amigos, eu visitei pela primeira vez em 2010. Depois disso, voltei lá outras vezes e nunca deixei de me surpreender!
Em dezembro de 2011, com meus amigos Douglas e Flavinho, remamos com baleias por vários minutos enquanto navegávamos próximo ao arquipélago. 
Mas antes de contar esta história e lhes mostrar o filme dessa brincadeira, deixe-me contar sobre o COMPERJ!
A Petrobrás vai construir um emissário terrestre/submarino para despejar todo o esgoto do Comperj no litoral de Maricá. Isso significa contaminar as praias não só daquele município, mas também de Niterói e Saquarema com óleos, graxas e outros rejeitos petroquímicos que nós sequer imaginamos. Isso vai prejudicar profundamente o ecossistema aquático das Ilhas Maricás, um lugar de extrema beleza submersa e, por isso, muito visitado por pescadores e mergulhadores. Ah, e claro, visitado também por baleias! Confiram este filme de 7 minutos com a energia das baleias e a beleza da ilha (link para o Vimeo): 
Olhe bem uma baleia passando a uns 5 metros da minha proa!!!!! E as Ilhas Maricás à esquerda...
Neste dia, saímos bem cedo da Praia de Itacoatiara e no caminho até as Ilhas Maricás tivemos este abençoado encontro. Era véspera de Natal e este foi um verdadeiro presente! Na ilha, me encantei novamente com a beleza do lugar: paredões rochosos, matas, restingas, farol, praia de conchas, animais marinhos, ÁGUA LIMPA!!! Mas por quanto tempo?!
O duto do Comperj está autorizado para liberar seus rejeitos esquisitos a apenas 2km da areia. Isso é muito pouco, considerando que as Maricás encontram-se a 6km da costa. Isso vai afetar, inclusive, a parte marinha do Parque Estadual da Serra da Tiririca! Esse duto não devia estar ali, mas se vai estar, deveria avançar, pelo menos, 10km mar afora. É claro que administradores do Comperj sabem disso, mas será que estão dispostos a gastar mais por causa de uma simples ilha pertencente a um município discretamente relegado socialmente? Em troca disso, começam a falar em royalties, empregos e progresso... Por isso falei de escrúpulos!
Olha a cor da água! A dica do sapatinho rosa: protege seus pés dos ouriços na hora do desembarque! E é super útil na caminhada pela ilha, que passa por trilhas no meio da mata, com espinhos e pedras quentes
A principal ilha do arquipélago possui 1,5km de extensão. Em suas redondezas, há um navio naufragado desde 1874, o naufrágio Moreno, não muito longe da Praia do Desembarque, a única praia das ilhas. Para o remadores, fica a dica: o acesso à prainha é no meio de pedras, bem estreito. O desembarque de OC6 pode ser possível apenas em dias de mar muito calmo; a melhor época para ir é no verão. Para OC1, OC2 ou caiaque o desembarque é mais folgado, mas mesmo assim deve-se prestar muita atenção nas pedras. Por isso, vale a pena conferir, antes de sair, o horário das marés e escolher uma hora de maré alta para chegar. Também vale a pena ficar ligado na previsão do vento. Se você pegar um Leste para voltar para Niterói ou para o Rio, tem chances de fazer um downwind maravilhoso!

Praia do Desembarque, toda de conchinhas. Caminhar descalço ali dói! Vale a pena levar um chinelo ou sapatinho de mergulho para andar tranquilamente por ali e pelo resto da ilha!
Remadores, visitem as Ilhas Maricás e reflitam sobre o duto do Comperj!
Para maiores informações sobre este empreendimento e o que a sociedade civil organizada pode fazer para proteger a ilha, visite o site do Movimento Preserve Assim:  http://www.preserveassim.org/


Aloha e até a próxima postagem!
Luiza Perin








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