quinta-feira, 9 de maio de 2013

Relatos da Ilha de Páscoa (PARTE II)

Desenhada no Mapa Mundi ou visualizada no Google Hearth, a Ilha de Páscoa apresenta um formato triangular, onde em cada uma das três pontas deste triângulo há um vulcão. Foi a erupção destes vulcões que fez emergir, esplêndida e lentamente, no meio do Oceano Pacífico, este lugar tão misterioso conhecido também como Rapa Nui. A lava destes três vulcões foi escorrendo, escorrendo, escorrendo... até fazer surgir no meio deles um solo. Este solo foi subindo, subindo, subindo... e criou-se ali condições favoráveis para o surgimento de uma floresta subtropical. Esta floresta foi crescendo, crescendo, crescendo... e transformou-se em um refúgio perfeito para abrigar vida naqueles inóspitas e vazias milhas náuticas distantes de todo o resto do mundo, e de todas as outras ilhas do Pacífico... Milhões de anos se passaram e chegaram ali, remando em canoas com balancim, alguns ancestrais polinésios vindos de outras ilhas do Pacífico. Estes ancestrais primitivos viviam em cavernas e eram escultores de grandes estátuas de pedra que chamamos de MOAI. Deixaram alguns vestígios de seu tempo remoto, como pinturas rupestres em grutas e artefatos de pedra lascada. Além dos moai, claro. Pronto! Resumi em um único parágrafo uma história que levou milhões e milhões de anos para se consumar. Assim vai ficar mais fácil transmitir a emoção do que é visitar cada canto daquela ilha...

Aqueles três vulcões dos quais falei são: TEREVAKA (o ponto mais alto da ilha, com 511m de altura), PUAKATIKI e RANO KAU. Foi neste último que vivi alguns dos momentos de maior êxtase da viagem. Quando estávamos na PRAIA DE ANAKENA, conhecemos um casal de brasileiros que disse ter se emocionado com o vulcão, tamanha sua beleza. E também com as casas-gruta primitivas que existem em suas encostas, um lugar chamado de ORONGO. Mapa na mão e jipe alugado: lá fomos nós vulcão acima, num fim de tarde, rumo às encostas da cratera do Rano Kau.
Fabiano e Otavia na borda do vulcão Rano Kau e o mapa triangular da Ilha de Páscoa.

Já pensou remar dentro de um vulcão?
Ficamos lá observando o vulcão, impressionados com uma beleza natural tão diferente da que estamos habituados. Para a tranquilidade de Otavia, que volta e meia perguntava se um daqueles vulcões começaria a borbulhar, as últimas atividades vulcânicas na ilha datam de 10 mil anos atrás. Isso foi muito-muito-muito antes mesmo da chegada dos primeiros humanos - aqueles ancestrais polinésios de que falei... 


Na borda do vulcão Rano Kau, de frente para a imensidão do Oceano Pacífico.

Vista de Orongo, a vila primitiva de grutas onde moravam antigos nativos da Ilha Páscoa, na borda do vulcão Rano Kau.
E as misteriosas grutas onde se abrigavam do vento constante da ilha os antigos nativos de Páscoa.
Estudos estimam que a ocupação da Ilha de Páscoa começou em algum tempo por volta do ano 900 d.C. Os pascoenses têm uma lenda que diz que o líder da expedição que povoou sua ilha foi um chefe chamado HOTU MATUA'A, que significa "o grande pai", que navegava em uma ou duas grandes canoas com sua esposa, seis filhos e alguns familiares. Hotu Matua'a, então, será o nome da nossa próxima canoa! A V1 que está pra nascer... São lendas e tradições orais contadas pelos nativos e registradas pelos primeiros europeus que lá chegaram. Na Polinésia, as muitas ilhas (do grego: poli = muitos, nesia = ilha) foram todas descobertas e povoadas assim, com a chegada de remadores desbravadores que se encorajavam a remar por dias a fio até chegar em outra ilha a ser descoberta...

Pôr-do-Sol em Orongo

A tarde estava linda em Orongo! Quando achávamos que assistir a um pôr-do-Sol do alto de um vulcão seria o maior presente daquele dia de viagem... eis que surge o nascer de uma gigante e atraente lua! Quando voltamos da pequena caminhada em Orongo para nosso jipe, lá estava ela... linda... nascendo atrás do Rano Kau! Foi extasiante ver uma lua daquela na Ilha de Páscoa!

Nascer da lua no Rano Kau.
Ela!
Energia que vem da lua!
Isso foi no Rano Kau, mas quero ainda contar o que descobri às bordas de um outro vulcão - o Rano Raraku - na outra extremidade da ilha. Trata-se de uma cratera famosa por ser conhecida como a "fábrica de moai". Lá tem dezenas de moai espalhados pelo chão... Mas este é o assunto da próxima postagem, onde vou finalmente contar um pouco sobre as estátuas de pedra da ilha. Afinal, como falar da Ilha de Páscoa e não postar nenhuma foto de moai?

ALOHA MEUS AMIGOS!
E ATÉ O PRÓXIMO VULCÃO!
Luiza Perin

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Relatos da Ilha de Páscoa (PARTE I)


Te Pito O Te Henua, ou seja, o umbigo do mundo. Era assim que o povo Rapa Nui se reconhecia e nomeava seus 163Km² de terra isolados no meio do Oceano Pacífico. Esse negócio de chamar o local de Ilha de Páscoa é muito recente - alguns séculos, somente - principalmente se comparado com a riqueza de cultura pré histórica que existe ali. O nome Ilha de Páscoa nada mais é que uma referência à natureza do primeiro contato europeu com o local. No dia 5 de abril de 1722 - um domingo de Páscoa - o navio do explorador holandês Jacob Roogeveen avistou a ilha pela primeira vez e, dali pra frente, todo o resto do mundo passou a conhecer a ilha das estátuas gigantes de pedra - e o pedaço de terra habitado mais isolado do Planeta! Mas muito antes disso, muuuuito antes, vivia ali um povo primitivo que vivia em cavernas e esculpia formas humanas em pedras.

Cheguei à Ilha de Páscoa bem próximo de um dia 5 de abril. Mas o ano era 2013. Mesmo com mais de 290 anos de diferença do meu "velho amigo holandês Jacob Roogeveen", tenho certeza de que me surpreendi tanto quanto ele! Aquelas estátuas inexplicavelmente erguidas de costas para o mar e de tamanhos colossais... Aquela sensação de isolamento e o perfume de maresia em todos os cantos da ilha, com cheiro de oceano profundo... Aqueles nativos - hoje já modernos - com olhar denso e carregado mas ao mesmo tempo atônito e curioso por conhecer as novidades que chegam pelo mar ou pelo ar... São percepções que só são sentidas na alma por quem vai à Ilha de Páscoa ao menos uma vez na vida. Em 1722 ou em 2013.

Cheguei, obviamente, ávida por remar! Olhava tudo em volta, queria tocar nas estátuas (mas não é permitido, e por um óbvio motivo de evitar o desgaste cumulativo de milhares de turistas fazendo o mesmo...), queria correr, gritar e pedalar cada vez mais rápido para percorrer a ilha toda. O único povoado da ilha é chamado de HANGA ROA e ali é possível alugar bikes por cerca de 15 mil pesos chilenos a diária (sim, a Ilha de Páscoa é um território chileno).


Minha prima Otavia e sua bike no Ahu Tahai.
Em Hanga Roa se concentram todos os poucos restaurantes do local, as pousadas, as lojinhas e mercados de artesanato, o aeroporto, etc.
Aluguei biclicleta por um dia e foi suficiente para conhecer tudo no vilarejo e adjacências. O turismo na Ilha de Páscoa é rústico. Não se deve esperar os melhores e mais rápidos atendimentos nos estabelecimentos comerciais. Como em quase todas as ilhas turísticas e relativamente pequenas que conheci, a vida ali passa devagar, as pessoas não têm pressa, os dias correm suaves e em função caminhar do Sol. O Sol nasce bem tarde, por volta das 8 horas da manhã. E se põe igualmente tarde, às 21 horas!

Este pôr-do-Sol é no ahu de moai mais próximo de Hanga Roa, o AHU TAHAI. Ali, turistas e jovens locais se encontrarm para ver o Sol se pondo atrás dos moai.

Pôr-do-Sol no Ahu Tahai.

Ahu Tahai, o mais próximo do vilarejo de Hanga Roa: lugar típico para assistir a um lindo pôr-do-Sol na Ilha de Páscoa.
Enquanto no Rio de Janeiro os remadores acordam cada vez mais cedo para treinar - os treinos em Itaipu (Niterói, RJ) começam às 5:45 da manhã, por exemplo - na Ilha de Páscoa se vai pro mar a partir das 17 horas. Às 17 horas começa as aulas dos "niños", e nestes momentos a enseada do porto de HANGA PIKO se enche de crianças em volta de canoas, gritos, remos, euforia e tudo de bom que envolve o universo das crianças e das remadas... Às 18h há o treino das "chicas" e às 19h a homarada vai toda pro mar em suas V1 cortando com velocidade as águas da face Oeste da ilha.

Crianças remando na enseada de Hanga Piko, o porto abrigado da Ilha de Páscoa.
Porto de Hanga Piko - lugar das aulas de canoa na Ilha de Páscoa.

Aula dos "niños" e Fabiano bem dirfarçado ali no meio, com sua prancha de stand up amarela, tentando negociar uma troca para remar na V1 das crianças...

Até que um menino Rapa Nui cismou de remar no SUP!

E lá foi o pequeno Rapa Nui...
Em um dia rodando de bike conheci tudo em Hanga Roa, o vilarejo local! Mas as maiores descobertas pela ilha eu fiz num jipe alugado por 30 mil pesos a diária! Aí sim, se vai a qualquer lugar da ilha!!! Histórias vividas a bordo do jipinho roots da Suzuki, trarei na próxima postagem!

Jipe roots que nos levou pra todos os cantos da Ilha de Páscoa. Mas não se pode passar de 60km/h se são ele treme todo!

IORANA, GALERA!
E ATÉ A PRÓXIMA POSTAGEM, COM MAIS HISTÓRIAS DE RAPA NUI...