terça-feira, 3 de maio de 2016

Baptême de Pirogue Polynésienne


Tive a horna de ser convidada pela organização da Vendee Va'a, em Les Sables D'Olone, França, a participar de um batismo de canoa polinésia ao lado de dois respeitados remadores tahitianos - um homem e uma mulher - e de um padre francês. Éramos quatro seres humanos de dois continentes e um arquipélago e de três mundos distintos posicionados à proa de uma canoa e de frente para o mar do Atlântico Norte, reunidos ali para canalizar nossas intenções em uma só energia: as bênçãos para a nova canoa. 

Quando conduzo batismos de canoa no Brasil procuro incorporar ao ritual os conhecimentos absorvidos em leituras sobre a cultura polinésia, em conversas com pessoas experientes e em aprendizados como o vivido no dia de hoje. Mas estava ao lado de um tahitiano que viajou mais de 30 horas para chegar a França e cuja cultura ancestral viajou por séculos até chegar ao ocidente em forma de esporte. O que eu teria para acrescentar naquele momento seria apenas minha demonstração de humildade, meu sentimento de gratidão por fazer parte deste rico momento e minhas melhores intenções para o mana desta nova canoa do clube francês CKCL. Mas os ritos, estes ficariam por conta dos tahitianos e do padre. E aquele momento foi como ter um dos meus melhores livros abertos diante de mim, mas com acontecimentos ao vivo e a cores. Foi um momento especial e de fortes emoções. Para que não me falhasse o francês, que estudei por tantos anos na vida, escrevi meu discurso em uma folha de papel e foi com muita emoção que li este texto diante de autoridades francesas da cidade de Les Sables D'Olone, de todos os organizadores da competição e de remadores tahitianos e franceses, além dos dois remadores compatriotas brasileiros dentre os mais especiais da minha vida: meu marido Fabiano e nosso amigo-irmão Douglas que nos convidou a embarcar com ele neste desafio de participar da Vendee Va'a. 



Discurso em Francês e tradução para o português logo abaixo: 

Dans toutes les régions du monde les bateaux sont les seules moyens de transport qui reçoivent des noms. Nous ne donnons pas des noms à des voiture, des avions ou des autobus. Mais quand les bateaux naissent, ils semblent intégrer en tant que membre de notre famille. De plus petits pirogues à grands navires nous pouvons voir les noms qui lui donnent sa propre personnalité, ce que les Polynésiens appellent mana. 

La culture polynésienne qui se propagent à toutes les îles du Pacifique nous enseigne que donner un nom aux bateaux est une tradition ancienne de peuples de la mer e et le baptême symbolise un rituel de respect pour la principal outil qui a permis l'occupation de toutes les Îles de ce vaste océan de Nouvelle-Guiné à Rapa Nui e de Aotearoa à Hawaï. La confiance em leurs dieux et leurs pirogues permis la realization des grandes épopées entre les îles. Les pirogues était son monde et la seule plateforme de survie entre le ciel et la mer, alors qu'ils ne trouvaient pas le terres. 

Le baptême donne au bateau une autre dimension que celle d'un moyen de transport. Les pirogues ont pris des hommes compétents, des femmes fértiles, des vieux sages, des plantes, arbre à pain, des porcs, des poulets, mais surtout leurs croyences et la source de leurs culture. 

Aujourd'hui, cette culture enseigne aussi a nous Brésiliens des importantes apprentissage sur la valeur de notre propre culture. Avant la colonization européenne le Brésil était une région sauvage occupée par les indiens qui vivaient dans les forêts, les rivières et la mer. Ils utilisaient aussi des pirogues taillées dans un seule tronc, ils avaient d'habitude de peindre leurs corps avec de l'argile et des teinture de plantes, ils avaient connaissance de l'arcs et des flèches e des rames et ils savais aussi interpréter les enseignements de la nature, comme les Polynésiens.

Au Brésil y il a environ 40 clubs de pirogue polynésien sur 8.000 km de côte. Dans chacune de ces bases de rameurs là, un petit morceau de Polynésie arrive au coeur des brésiliens et nous fait voir que la pirogue est plus q'un sport. 

Aujourd'hui ce le jour de dire maururu a ces peuple Tahitian. Nous respecterons toujours la culture associée à ce sport. Nous sommes ici pour apprendre e pour partager notre amour pour la pirogue avec vous. Nous avons apporté un peu d'eau de mer du Brésil pour qu'on puisse mélanger l'énergie d'Atlantique Sud dans ce baptême.

Merci a notres amis Français et sourtout aux organizateurs de Vendee Va'a qui ont créé l'occasion de ce discours. Je vous remercie au nom de mon peuple Brésilien et vous invite vous tous pour faire du pirogue avec nous au Brésil.

Tradução: 

No mundo todo os barcos são o único meio de transporte que recebem nomes próprios. Não damos nomes aos carros, aos aviões ou aos ônibus. Mas quando nasce um barco, ele parece vir a integrar como mais um membro de nossa própria família. Desde as menores canoas aos grandes navios podemos ver os nomes que lhe dão personalidade própria, aquilo que os polinésios chamam de mana. 

A cultura polinésia que se espalha por todas as ilhas do Pacífico nos ensina que dar nome a um barco é uma tradição antiga dos povos do mar e o batismo simboliza um ritual de respeito pela principal ferramenta que permitiu a ocupação de todas as ilhas deste vasto oceano, da Nova Guiné a Rapa Nui e de Aotearoa ao Havaí. A confiança em seus deuses e em suas canoas permitiu a realização de grandes façanhas entre as ilhas. As canoas eram então seu mundo e sua única plataforma de sobrevivência entre o céu e o mar enquanto não encontrassem terra. 

O batismo atribui às canoas mais que uma categoria de meio de transporte. As canoas levavam homens bravos, mulheres férteis, velhos sábios, plantas, fruta-pão, porcos, galinhas, mas sobretudo suas crenças e a origem de sua cultura. 

Hoje, esta cultura ensina também a nós brasileiros um importante aprendizado sobre o valor de nossa própria cultura. Antes da colonização européia o Brasil era uma região selvagem ocupada por índios que viviam nas florestas, nos rios e mares. Eles também utilizavam canoas de um tronco só, tinham o hábito de pintar seus corpos com argila e tintura de plantas e tinham conhecimento de arco e flechas, de remos e sabiam também interpretar os ensinamentos da natureza, como os polinésios. 

No Brasil existem hoje aproximadamente 40 clubes de canoa polinésia distribuídos em 8 mil quilômetros de costa. Em cada uma destas bases de remadores um pequeno pedaço da Polinésia chega ao coração dos brasileiros e nos faz enxergar que a canoa é mais que um esporte. 

Hoje é o dia de dizer maururu a este povo tahitiano. Nós sempre respeitaremos a cultura associada a este esporte e estamos aqui para aprender e para compartilhar nosso amor pela canoa com vocês. Trouxemos um pouco de água do mar do Brasil para que possamos misturar a energia do Atlântico Sul a este batismo. 

Obrigada a nossos amigos franceses e sobretudo aos organizadores da Vendee Va'a que permitiram a ocasião deste discurso. Lhes agradeço em nome do meu povo e os convido a todos para remar conosco no Brasil.

Merci, Maururu e até a próxima postagem! 
Luiza Perin, 3 de maio de 2016. 




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